A CASACOR Rio Grande do Sul 2026 está aberta em Porto Alegre e é, provavelmente, a melhor oportunidade do ano para quem está planejando um projeto de marcenaria — desde que você saiba o que olhar.
Mostra de decoração é um lugar estranho. Tudo é lindo, nada tem preço na etiqueta e boa parte do que você vê não funcionaria na sua casa. Mas dentro dessa vitrine existem soluções de marcenaria genuinamente replicáveis, e outras que só existem porque ninguém vai morar ali.
Este guia é um roteiro para percorrer a mostra com olhar técnico: o que observar, o que anotar e o que ignorar.
O que é a CASACOR RS 2026
A edição de 2026 marca os 35 anos da mostra no Rio Grande do Sul e reúne 35 ambientes sob o tema nacional "Mente e Coração".
O local é parte da atração: o antigo Terminal de Passageiros do Aeroporto Salgado Filho, construído em 1953 e fechado desde 2019, devolvido ao público pela CASACOR a partir de 2025. Os ambientes se distribuem por corredores, salões e espaços que preservam elementos originais do terminal — o que cria um contraste interessante entre patrimônio e projeto contemporâneo.
Serviço Período: 12 de agosto a 4 de outubro de 2026 Local: Antigo Terminal do Aeroporto Salgado Filho — Av. dos Estados, 747, Anchieta, Porto Alegre/RS Horários: terça a sexta, das 14h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 21h Ingressos: appcasacor.com.br
Além dos ambientes residenciais, o circuito inclui espaços de gastronomia, coworking e arte — vale reservar tempo, porque a visita rende mais do que parece.
Como olhar marcenaria numa mostra
A maioria das pessoas circula pela CASACOR olhando composição, cor e objeto. Quem está prestes a fechar um projeto deveria olhar outra coisa: como as peças foram resolvidas.
Cinco pontos que valem a atenção:
1. Onde estão as juntas e as emendas. Em painéis grandes, ripados e marcenaria de parede inteira, o desenho de como as peças se encontram é o que separa um trabalho bem resolvido de uma colagem. Observe se as emendas foram escondidas, alinhadas com um elemento do desenho ou simplesmente deixadas onde calhou.
2. Como a marcenaria encosta no piso e no teto. Rodapé embutido, recuo iluminado, encontro seco com o forro. Essas transições são decisões de projeto que mudam completamente a percepção de acabamento, e quase sempre podem ser replicadas.
3. Onde a luz está embutida. Perfis de LED em nichos, sob prateleiras, atrás de painéis e em recuos de rodapé. Repare de onde a luz nasce e para onde ela vai — e lembre que cada uma dessas soluções exige ponto elétrico previsto antes da produção do móvel.
4. O que está escondido. Portas sem puxador, painéis que abrem, marcenaria que esconde equipamento, geladeira ou home office. A mostra é generosa nesse tipo de solução, e boa parte dela é aplicável em apartamento real.
5. A proporção dos volumes. Quantos módulos fechados contra quantos nichos abertos. É a decisão que mais define se um ambiente parece elegante ou carregado — e é de graça, no sentido de que não depende de material caro.
O que é replicável e o que não é
Esta é a leitura que vale mais.
Costuma ser replicável:
- Soluções de iluminação embutida na marcenaria
- Portas sem puxador aparente e perfis embutidos
- Continuidade de acabamento entre ambientes integrados
- Marcenaria até o teto, eliminando o vão superior
- Combinação de módulos fechados com nichos abertos
- Painéis ripados como elemento de parede
- Contraste de tons entre volume principal e peças de destaque
Raramente é replicável, e é bom saber antes de se apaixonar:
- Pé-direito de mostra. O antigo terminal é um edifício monumental. Uma solução vertical que funciona ali pode ficar opressiva num apartamento de 2,60 m.
- Ambientes sem rotina. Não existe louça suja, mochila, correspondência nem varal na mostra. Um ambiente projetado só com nichos abertos é lindo numa foto e insustentável numa casa com gente dentro.
- Metragem de exposição. Ambientes de mostra frequentemente têm proporções que um imóvel padrão não oferece.
- Materiais de exceção. Alguns acabamentos existem para demonstrar capacidade técnica, não para uso cotidiano.
- Ausência de infraestrutura real. Nem sempre há a tubulação, o quadro elétrico e as vigas que o seu apartamento tem.
Nada disso desqualifica a mostra. Mostra é laboratório, não catálogo. O erro é confundir os dois.
O que anotar durante a visita
Leve o celular e registre com objetivo, não só por estética:
- Fotografe encontros, não ambientes. O canto onde dois materiais se tocam vale mais que a foto ampla.
- Anote de onde vem a luz em cada ambiente que te agradar.
- Registre as proporções que funcionaram — quanto de fechado, quanto de aberto.
- Repare no que te incomodou. Saber o que você não quer é tão útil quanto saber o que quer, e economiza rodadas de projeto.
- Anote as cores em conjunto, não isoladas. Nenhum acabamento existe sozinho.
Essas anotações valem ouro na primeira conversa com o projetista. Chegar com "quero algo assim" e uma foto ampla gera um projeto genérico. Chegar com "gostei de como esse rodapé se resolve" gera um projeto específico.
Do que você viu ao que cabe na sua casa
O caminho entre a mostra e o projeto real passa por três filtros:
Filtro 1 — o ambiente. Suas medidas, seu pé-direito, suas vigas e seus pontos de instalação. Isso só se resolve com medição presencial.
Filtro 2 — a rotina. O que você guarda, quem usa, com que frequência. A mostra não tem essa informação; o seu projeto precisa ter.
Filtro 3 — a visualização. Testar a referência dentro do seu espaço, em 3D, antes de produzir. É onde se descobre se aquela solução que encantou no terminal cabe no seu living.
Uma observação sobre timing
A mostra encerra em 4 de outubro. Quem visita e sai empolgado tende a esperar "o momento certo" para procurar um projetista — e o momento certo costuma ser enquanto as referências ainda estão frescas e anotadas.
Se você está planejando um ambiente e ainda não visitou, vale ir. E se já visitou, vale transformar as anotações em projeto antes que virem uma pasta de fotos esquecida no celular.
Leve as suas referências para o projeto
A equipe da Loja Botânico trabalha exatamente assim: parte das suas referências, faz a medição do ambiente e desenvolve o projeto em 3D para você ver a ideia dentro do seu espaço real antes de aprovar qualquer produção.
Fale com a Casa Nova Italínea pelo WhatsApp e mande as fotos que você trouxe da mostra. O atendimento cobre Porto Alegre e região.

